Artroscopia do Quadril
Alta precisão e mínima invasão para o tratamento de lesões internas, permitindo uma recuperação mais rápida e a preservação da articulação natural.
O que é a Artroscopia do Quadril?
A artroscopia do quadril é uma técnica cirúrgica minimamente invasiva que permite ao ortopedista diagnosticar e tratar problemas no interior da articulação sem a necessidade de grandes cortes. Através de duas ou três pequenas incisões (portais) de aproximadamente 1,5 cm, um artroscópio — uma haste fina com uma câmera de alta definição — é inserido no quadril, transmitindo imagens detalhadas para um monitor.
Diferente da cirurgia aberta tradicional, a artroscopia preserva a musculatura e os tecidos moles circundantes, o que resulta em significativamente menos dor pós-operatória e um retorno mais célere às atividades do dia a dia e ao esporte.

A Anatomia e o Espaço Articular
O quadril é uma articulação de “bola e soquete” muito profunda e estável, o que exige técnicas específicas para o acesso artroscópico:
Cápsula Articular: É uma estrutura fibrosa e forte que envolve a articulação. Durante a artroscopia, o cirurgião pode realizar uma capsulotomia (abertura controlada) para acessar o interior e, ao final, uma capsulorrafia para restaurar a estabilidade.
Lábio Acetabular (Labrum): Uma estrutura de fibrocartilagem que atua como um selo de vedação, mantendo o líquido sinovial dentro da articulação e aumentando a estabilidade. A artroscopia permite suturar e fixar o labrum com âncoras bioabsorvíveis de alta tecnologia.
Espaço de Tração: Para visualizar o interior, é aplicada uma tração suave e controlada na perna do paciente, abrindo um espaço de cerca de 1 cm entre a cabeça do fêmur e o acetábulo.
Principais Indicações
O procedimento é indicado principalmente para patologias que não respondem ao tratamento conservador e que, se não tratadas, podem evoluir para artrose:
Impacto Femoroacetabular (IFA): Raspagem do excesso ósseo (osteocondroplastia) no fêmur (tipo CAM) ou no acetábulo (tipo Pincer).
Lesões do Labrum: Reparo, reconstrução ou desbridamento do lábio acetabular lesionado.
Corpos Livres e Sinovites: Remoção de fragmentos de osso ou cartilagem que se soltaram e tratamento da inflamação da membrana sinovial.
Lesões de Cartilagem (Condrais): Técnicas de microfraturas ou condroplastia para estimular a formação de novo tecido.
Ressaltos e Tendinopatias: Tratamento de tendões que “estalam” (como o psoas) ou reparo do glúteo médio.
Características do Procedimento
Anestesia: Geralmente realizada sob anestesia raquidiana combinada com sedação ou anestesia geral.
Instrumentação Especializada: São utilizadas pinças, “shavers” (raspadores motorizados) e radiofrequência para remodelar o osso e tratar os tecidos moles.
Tempo de Cirurgia: Dura em média de 1 a 2 horas, dependendo da complexidade das lesões a serem tratadas.
Dúvidas frequentes
A artroscopia é geralmente um procedimento de "hospital-dia". O paciente costuma receber alta no mesmo dia ou na manhã seguinte, após a fisioterapia inicial no hospital.
Sim. O uso de muletas com carga parcial é necessário por cerca de 2 a 4 semanas para proteger o reparo labial ou a cicatrização óssea. O tempo exato depende se houve raspagem óssea ou apenas limpeza articular.
A reabilitação começa imediatamente. O foco inicial é o ganho de mobilidade passiva e o controle da dor. Entre a 6ª e a 12ª semana, iniciam-se exercícios de fortalecimento e equilíbrio.
Esportes sem impacto (ciclismo, natação) podem ser liberados após a 6ª semana. O retorno a esportes de impacto e mudança de direção (futebol, corrida, tênis) ocorre geralmente entre 4 a 6 meses, após a completa restauração da força muscular.

Dr Renan José Rigonato
Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.
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