Lesões Ligamentares do Quadril

A base da estabilidade articular. Quando o suporte falha, o diagnóstico preciso é o caminho para recuperar a segurança e o movimento.

Renan Rigonato

O que são as Lesões Ligamentares?

Os ligamentos são faixas de tecido conjuntivo fibroso extremamente resistentes que conectam um osso a outro, funcionando como “estabilizadores estáticos” das articulações. No quadril, os ligamentos são alguns dos mais fortes do corpo humano, projetados para suportar grandes cargas e manter a cabeça do fêmur firmemente encaixada no acetábulo durante movimentos complexos.

Uma lesão ligamentar (entorse) ocorre quando essas fibras são esticadas além do seu limite fisiológico, podendo resultar em micro-rupturas ou até no rompimento total da estrutura. Sem a integridade desses “cabos”, a articulação torna-se instável, o que acelera o desgaste da cartilagem e aumenta o risco de novas lesões.

A Anatomia da Estabilidade Pélvica

O quadril é sustentado por um complexo sistema de ligamentos extrínsecos (externos) e intrínsecos (internos):

  • Ligamento Iliofemoral (Ligamento de Bigelow): Em formato de “Y”, é o ligamento mais forte do corpo. Ele impede a extensão excessiva do quadril e ajuda a manter a postura ereta com o mínimo de esforço muscular.

  • Ligamento Pubofemoral e Isquiofemoral: Complementam a cápsula articular, limitando os movimentos de rotação e abdução excessiva.

  • Ligamento Redondo (Ligamento da Cabeça do Fêmur): Localizado dentro da articulação, ele conecta a cabeça do fêmur diretamente ao acetábulo. Embora pequeno, desempenha um papel crucial na estabilidade em atletas e na lubrificação da articulação.

Principais Sintomas

Os sintomas variam conforme o grau da lesão, mas os pacientes frequentemente relatam:

  • Sensação de Insegurança: A percepção de que o quadril está “frouxo” ou que vai “sair do lugar” durante certas manobras.

  • Inchaço e Calor Local: Resultado do processo inflamatório agudo (sinovite reacional).

  • Estalidos e Bloqueios: Sensação de algo prendendo dentro da articulação, comum em lesões do ligamento redondo.

  • Redução da Força: Dificuldade em realizar movimentos de explosão ou mudar de direção.

Classificação da Gravidade (Graus)

  • Grau I (Leve): Estiramento das fibras sem ruptura. Há dor, mas a articulação permanece estável.

  • Grau II (Moderado): Ruptura parcial das fibras. Há dor significativa e uma instabilidade perceptível no exame físico.

  • Grau III (Grave): Ruptura total do ligamento. A articulação torna-se instável e a perda de função é severa.

Causas e Classificações

  • Localização Profunda: A dor ligamentar no quadril costuma ser sentida na profundidade da virilha.
  • Dor em Posições Extremas: O desconforto agudiza-se quando o paciente tenta levar a articulação ao limite do movimento (ex: agachamentos profundos ou rotações bruscas).
  • Irradiação: Pode haver dor referida que se estende para a parte interna da coxa.

Dúvidas frequentes

O diagnóstico clínico exige testes de instabilidade realizados pelo especialista. O exame de imagem padrão-ouro é a Ressonância Magnética (ou Artro-RM), que permite visualizar não apenas o ligamento, mas também se houve lesão associada ao labrum ou à cartilagem.

  • Não. A maioria das lesões de Grau I e II responde bem ao tratamento conservador com fisioterapia focada no fortalecimento dos "estabilizadores dinâmicos" (músculos glúteos e core) para compensar a frouxidão ligamentar.

    Quando a Artroscopia é indicada? A cirurgia (geralmente por vídeo) é indicada em lesões de Grau III, quando há fragmentos do ligamento soltos dentro da articulação (causando bloqueios) ou em atletas de alto rendimento com ruptura do ligamento redondo que não melhora com a reabilitação.

     

Depende do grau:

  • Grau I/II: 4 a 8 semanas de reabilitação focada.

  • Grau III/Cirúrgico: 4 a 6 meses para o retorno pleno a esportes de impacto.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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