Lesões e Estiramentos Musculares

O equilíbrio entre a potência e a elasticidade. Trate a causa da lesão para recuperar sua performance e evitar o ciclo de reincidências.

Renan Rigonato

O que são Lesões e Estiramentos Musculares?

As lesões musculares ocorrem quando as fibras de um músculo são submetidas a uma tração excessiva que supera sua resistência elástica, resultando em rupturas de diferentes proporções. Elas são classificadas em um espectro que vai desde o estiramento (onde as fibras são apenas alongadas excessivamente) até a ruptura total do ventre muscular.

Na medicina esportiva atual, entendemos que o músculo não é apenas um “gerador de força”, mas um tecido altamente especializado que exige uma cicatrização organizada. Uma lesão mal conduzida resulta na formação de fibrose (uma cicatriz rígida), que não tem a mesma capacidade de contração, tornando o músculo vulnerável a novas rupturas.

A Anatomia da Lesão Muscular

Para entender o estiramento, precisamos olhar para a microestrutura do músculo:

  • A Unidade Funcional: O músculo é composto por milhares de sarcômeros (unidades que se encurtam para gerar força). A lesão ocorre geralmente na junção miotendínea — a zona de transição entre o músculo e o tendão, onde o estresse mecânico é maior.

  • Vascularização: O tecido muscular é ricamente irrigado por sangue. Por isso, quando há ruptura, é comum a formação de hematomas internos que precisam de manejo adequado para não gerarem calcificações (miosite ossificante).

Principais Sintomas

A gravidade da lesão dita os sintomas, mas os sinais clássicos incluem:

  • Dor Aguda e Súbita: Frequentemente descrita como uma “pontada”, “fisgada” ou a sensação de ter levado uma “pedrada”.

  • Edema e Equimose: Inchaço local e o surgimento de manchas roxas (hematomas) que podem aparecer horas ou dias após o trauma.

  • Perda de Função: Dificuldade ou impossibilidade de contrair o músculo afetado ou de realizar alongamentos.

  • Depressão Visível: Em rupturas graves (Grau III), pode ser possível palpar ou ver um “degrau” no local onde o músculo se rompeu.

Classificação e Gravidade

  • Grau I (Leve): Estiramento de menos de 5% das fibras. Há dor, mas pouca perda de força. O tempo de recuperação é curto.

  • Grau II (Moderado): Ruptura parcial de uma quantidade significativa de fibras. Há dor intensa, hematoma visível e perda de força.

  • Grau III (Grave): Ruptura total do músculo ou da sua transição com o tendão. Frequentemente exige uma reabilitação longa e, em casos específicos, cirurgia.

Características da Dor

  • Localização Exata: Diferente da dor de “fadiga” (que é difusa), a dor do estiramento é pontual. O paciente consegue apontar o local exato da lesão.
  • Piora com a Contração: A dor agudiza-se no momento em que o músculo tenta trabalhar ou quando é alongado passivamente.
  • Sinal da “Pedrada”: A sensação de impacto súbito na região, mesmo sem ter havido contato físico com outro objeto ou atleta.

Dúvidas frequentes

  • O diagnóstico clínico é soberano, mas para quantificar a lesão utilizamos o Ultrassom (excelente para acompanhamento da evolução) e a Ressonância Magnética, que é o padrão-ouro para localizar o ponto exato da ruptura e identificar hematomas profundos.

Substituímos o antigo "Gelo e Repouso" (RICE) por uma abordagem moderna: PEACE (Proteção, Elevação, Evitar anti-inflamatórios, Compressão, Educação) nas primeiras 48h, seguido de LOVE (Load/Carga progressiva, Otimismo, Vascularização e Exercício). Evitar o uso excessivo de anti-inflamatórios é crucial para não interromper a biologia natural da cicatrização.

O retorno deve ser baseado em critérios funcionais, não apenas no tempo. O paciente deve estar sem dor, ter recuperado a simetria de força (testada por dinamometria) e ter passado por um treinamento de fortalecimento excêntrico para recondicionar a fibra cicatrizada.

Em casos específicos, podemos utilizar terapias biológicas ou infiltrações guiadas para auxiliar na reabsorção de hematomas ou estimular a regeneração em lesões crônicas, mas a base do tratamento sempre será a fisioterapia funcional.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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