Impactos Articulares
Entenda como o corpo processa a carga mecânica e aprenda a identificar os sinais de alerta antes que o impacto se torne uma lesão irreversível.
O que são os Impactos Articulares?
O impacto articular ocorre quando a energia cinética gerada pelo movimento (especialmente em atividades de salto, corrida ou mudança de direção) é transferida para as superfícies da articulação. Em condições normais, essa energia é dissipada por um sistema complexo de “amortecedores” naturais.
O problema surge quando o impacto é excessivo (trauma agudo) ou repetitivo (sobrecarga crônica), superando a capacidade de resiliência dos tecidos. Se esses sinais de “aviso” não forem respeitados, o impacto mecânico direto pode causar microfraturas no osso subcondral e o início da degradação da cartilagem.

A Anatomia do Sistema de Amortecimento
Para proteger o osso, o corpo utiliza várias camadas de proteção que trabalham em sincronia:
Líquido Sinovial: Funciona como um lubrificante hidráulico, reduzindo o atrito e distribuindo a pressão inicial.
Cartilagem Articular: Um tecido altamente especializado e liso que reveste as extremidades dos ossos, capaz de se deformar levemente para absorver o choque.
Meniscos e Labrum: Estruturas de fibrocartilagem que aumentam a área de contato da articulação, espalhando a carga para que ela não se concentre em um único ponto.
Osso Subcondral: A camada de osso logo abaixo da cartilagem, que possui certa elasticidade para absorver a energia restante.
Músculos: São os principais amortecedores dinâmicos. Músculos fortes absorvem a maior parte do impacto antes mesmo que ele chegue à articulação.
Principais Sintomas (Sinais de Alerta)
O corpo emite avisos claros quando o limite de impacto está sendo atingido:
Dor Pós-Esforço: Desconforto que surge horas após a atividade e pode durar até o dia seguinte.
Efuso Articular (Inchaço): O joelho ou quadril “enchem” levemente, sinalizando uma irritação da membrana sinovial.
Crepitação: Sensação de “areia” ou ruídos ao realizar movimentos de agachamento ou flexão.
Rigidez Protetora: O corpo limita a amplitude de movimento para evitar que a área lesionada sofra mais impacto.
Características da Dor
- Dor de Impacto: Geralmente é uma dor “viva” e aguda que ocorre no exato momento da pisada ou do movimento brusco.
- Localização Profunda: O paciente sente que a dor vem de “dentro da junta”, não sendo superficial como uma dor na pele ou músculo.
- Sinal do Estresse Ósseo: Uma dor latejante que persiste mesmo após o término do exercício, indicando que o osso subcondral pode estar sofrendo (edema ósseo).
Causas e Fatores de Risco
Biomecânica Inadequada: Erros na técnica de corrida ou saltos que fazem o impacto “vencer” os músculos e atingir as juntas.
Sobrepeso: Cada quilo adicional no corpo multiplica a carga sobre as articulações de suporte (quadril e joelho) durante o movimento.
Pisos Rígidos: Treinar constantemente em superfícies de concreto sem o amortecimento adequado.
Sarcopenia ou Fraqueza: Músculos fracos não conseguem desacelerar o corpo, transferindo 100% do impacto para a cartilagem.
Dúvidas frequentes
Além do exame físico, a Ressonância Magnética é vital para identificar o Edema Ósseo, que é o sinal mais precoce de que o osso está sofrendo por impacto repetitivo antes mesmo de ocorrer uma fratura ou desgaste severo.
Em articulações com sinais de desgaste por impacto, a aplicação de Ácido Hialurônico ajuda a restaurar as propriedades de amortecimento do líquido sinovial, funcionando como um "choque" hidráulico para proteger a cartilagem.
Sim. No quadril, o contato anormal e repetitivo entre o fêmur e o acetábulo (IFA) é uma forma específica de impacto que, se não tratada, leva à ruptura do labrum e artrose precoce.
A prevenção foca em três pilares: fortalecimento muscular (especialmente excêntrico), correção da técnica esportiva e uso de calçados que respeitem a biomecânica do atleta.

Dr Renan José Rigonato
Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.
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