A fratura do fêmur proximal (quadril) exige atendimento urgente e especializado. O objetivo do tratamento é restabelecer a estrutura óssea, aliviar a dor e permitir que o paciente retorne às suas atividades com segurança e autonomia o quanto antes.

O que é a fratura do fêmur?

As fraturas nessa região costumam ocorrer por traumas de alta energia, como acidentes de trânsito, em pacientes mais jovens, ou por quedas simples em idosos, especialmente quando há osteoporose.

A localização da fratura  colo do fêmur, região transtrocanterica ou subtrocanterica- isso é determinante para definir o tipo de tratamento e a técnica cirúrgica mais adequada.

Principais sintomas de uma fratura do fêmur

  • Dor intensa na virilha ou na coxa
  • Dificuldade ou incapacidade de andar ou apoiar o pé no chão
  • Deformidade visível: Normalmente com o membro afetado estando mais curto ou rodado para fora

Principais tipos de fraturas do fêmur proximal

As fraturas são nominadas conforme a localização do osso que acometem, podendo ser:

  • Colo do fêmur
  • Região transtrocanterica
  • Região subtrocanterica

Tratamentos indicados para a fratura do fêmur

As fraturas do fêmur proximal que ocorrem na região do quadril são situações graves e consideradas urgência médica. Na maioria dos casos, o tratamento é cirúrgico e praticamente obrigatório.

Isso acontece porque esse tipo de fratura impede o paciente de andar, causa dor intensa e, quando não tratada rapidamente, pode levar a complicações sérias, como infecções, trombose, perda de massa muscular, piora das doenças clínicas e até risco de vida.

A cirurgia tem como principais objetivos:

  • Aliviar a dor

  • Permitir que o paciente volte a se movimentar o quanto antes

  • Reduzir o risco de complicações

  • Restaurar a função do quadril

O tipo de cirurgia varia conforme a fratura, a idade do paciente, a qualidade do osso e o nível de atividade prévio. Pode envolver parafusos, hastes, placas ou, em alguns casos, prótese de quadril.

Sempre que possível, a cirurgia é realizada nas primeiras 48 horas após a fratura, pois a recuperação costuma ser melhor quando o tratamento não é adiado.

 

Procedimentos cirúrgicos

Recuperação e reabilitação

A recuperação existe, mas não acontece da mesma forma para todos, pois depende principalmente de dois fatores centrais: o tipo de fratura e a idade do paciente.

Fraturas mais simples, em pacientes jovens e sem comorbidades, costumam permitir uma recuperação mais rápida e completa. Já fraturas mais complexas, especialmente em pacientes idosos e frágeis, exigem um processo de reabilitação mais longo e, em alguns casos, com limitações permanentes.

Entender essas diferenças é fundamental para alinhar expectativas, planejar o tratamento e organizar a recuperação de forma realista e segura.

Após a cirurgia, a recuperação costuma começar de forma precoce e progressiva. Na maioria das situações, o paciente já é orientado a ficar em pé e iniciar a marcha com auxílio, geralmente com andador, no dia seguinte ao procedimento.
Em fraturas mais complexas ou em casos específicos, pode ser necessário evitar apoiar o peso na perna operada por algumas semanas, normalmente em torno de 4 a 6 semanas, até que o osso esteja mais estável.

A alta hospitalar acontece quando o paciente apresenta condições clínicas seguras, dor controlada e já realizou as primeiras sessões de fisioterapia. Esse acompanhamento fisioterápico é fundamental e deve continuar após a saída do hospital, sendo parte essencial da recuperação.

Durante esse período, é comum o uso de medicações para controle da dor e de anticoagulantes, que ajudam a prevenir trombose, uma complicação associada ao período de menor mobilidade.

Outro ponto importante em idosos é iniciar ou ajustar o tratamento da osteoporose, com o objetivo de reduzir o risco de novas fraturas no futuro.

De modo geral, quando o tratamento é realizado de forma adequada e a reabilitação é bem seguida, a evolução costuma ser positiva, permitindo que o paciente retome gradualmente suas atividades do dia a dia, com ganho progressivo de autonomia e qualidade de vida.

Dúvidas Frequentes

A recuperação completa varia de acordo com o tipo de fratura, a cirurgia realizada e a idade do paciente. Em geral, os primeiros ganhos acontecem nas primeiras semanas, com retorno progressivo da marcha. A maioria dos pacientes apresenta uma melhora importante entre 3 e 6 meses, mas a recuperação pode continuar de forma mais lenta por até 12 meses. Pacientes jovens tendem a recuperar a função mais rapidamente, enquanto idosos, especialmente os mais frágeis, podem levar mais tempo ou não retornar totalmente ao nível de atividade que tinham antes da fratura.

Na grande maioria dos casos em adultos, sim. O tratamento cirúrgico reduz o risco de sequelas, dor crônica e perda de mobilidade.

A prótese de quadril é indicada quando a articulação não pode ser preservada após a fratura. Isso acontece, principalmente, nas fraturas do colo do fêmur, quando o osso se quebra de forma que não cicatrizaria bem apenas com parafusos ou hastes.

Alguns fatores aumentam a chance de ser necessária uma prótese:

  • Fraturas desviadas, em que o osso sai do lugar

  • Comprometimento da circulação do osso, o que impede a consolidação adequada

  • Idade mais avançada, com osso mais frágil

Na maioria dos casos, o paciente é estimulado a ficar em pé e iniciar a caminhada já no dia seguinte à cirurgia, com auxílio de andador ou muletas. O momento exato e a quantidade de apoio no membro operado dependem do tipo de fratura e do tipo de cirurgia realizada. Em fraturas mais estáveis, o apoio costuma ser liberado precocemente; já em casos mais complexos, pode ser necessário restringir o apoio por cerca de 04 a 06 semanas, sempre com orientação médica e acompanhamento da fisioterapia.

A fratura da região proximal do fêmur é uma situação grave e considerada urgência médica.Diante da suspeita ou confirmação desse tipo de fratura, é fundamental procurar imediatamente atendimento médico especializado, para que o diagnóstico seja feito corretamente e o melhor tratamento seja definido o quanto antes, reduzindo riscos e melhorando as chances de recuperação.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Quadril
  • AO Trauma
  • Rockwood And Greens
  • Radiopedia
Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Ortopedista e Traumatologista pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP-SP (IOT HCFMUSP)

CRM/SP 215.699 | RQE 135.765
TEOT 20.336

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