Fraturas da bacia

Lesões complexas que exigem alta especialização técnica para a preservação da estabilidade da pelve e da função articular do quadril.

Renan Rigonato

O que são as Fraturas da Bacia?

As fraturas da bacia são lesões ósseas que acometem o anel pélvico e/ou o acetábulo. Elas são classicamente divididas em dois grandes grupos devido à sua gravidade e abordagem terapêutica:

  1. Fraturas do Anel Pélvico: Envolvem a estrutura circular que sustenta o peso do corpo e protege órgãos vitais. Costumam ser causadas por traumas de alta energia e podem gerar instabilidade mecânica e hemodinâmica grave.

  2. Fraturas do Acetábulo: Ocorrem na “taça” da articulação do quadril, onde a cabeça do fêmur se encaixa. São fraturas articulares complexas que, se não reduzidas com precisão milimétrica, levam inevitavelmente à artrose precoce.

Devido à proximidade com grandes vasos sanguíneos e nervos, essas lesões são consideradas emergências ortopédicas que demandam avaliação imediata em ambiente hospitalar.

Principais sintomas

O quadro clínico varia conforme a energia do trauma, mas os sinais mais comuns incluem:

  • Dor intensa e incapacitante na região da virilha, quadril ou região lombar baixa.
  • Impossibilidade total de apoiar o peso do corpo sobre as pernas.
  • Diferença no comprimento das pernas (encurtamento aparente) ou rotação anormal do membro.
  • Presença de hematomas extensos (equimoses) na região da bacia, períneo ou escroto.
  • Sinais de choque (palidez, queda de pressão) em casos de sangramento interno volumoso.

Características da Dor

  • Aguda e Profunda: A dor é descrita como lancinante e localizada nas profundezas da pelve.

  • Exacerbação ao Movimento: Qualquer tentativa de mover as pernas ou mudar de posição no leito provoca espasmos musculares e dor extrema.

  • Instabilidade Percebida: Em alguns tipos de fratura do anel pélvico, o paciente pode ter a sensação de que a bacia está “abrindo” ou “desencaixada”.

Causas e Fatores de Risco

  • Traumas de Alta Energia: Acidentes automobilísticos, atropelamentos e quedas de grandes alturas são as causas principais em pacientes jovens.

  • Fraturas de Insuficiência (Idosos): Em pacientes com osteoporose severa, uma queda simples da própria altura pode causar uma fratura da bacia devido à fragilidade óssea.

  • Atividades Esportivas Extremas: Raramente, podem ocorrer fraturas por avulsão em atletas jovens (quando o músculo “arranca” um pedaço do osso).

Dúvidas frequentes

O protocolo inicial segue o ATLS (suporte avançado de vida no trauma). Após a estabilização dos sinais vitais, realizamos radiografias específicas (incidências de Inlet e Outlet) e, obrigatoriamente, a Tomografia Computadorizada com Reconstrução 3D, fundamental para o planejamento cirúrgico.

Não. Fraturas estáveis e sem desvio em pacientes idosos ou fraturas que não comprometem a zona de carga do acetábulo podem ser tratadas de forma conservadora, com repouso e carga protegida. Porém, se houver instabilidade ou degrau articular, a cirurgia é mandatória.

O objetivo é a Redução Anatômica e Fixação Interna (ORIF). Utilizamos placas e parafusos especiais para "remontar" o osso. Em casos de instabilidade hemodinâmica na urgência, pode ser necessário o uso temporário de um Fixador Externo (pinos fora da pele) para estabilizar a bacia e controlar o sangramento.

É um processo longo. O paciente geralmente fica sem apoiar o pé no chão por 8 a 12 semanas para permitir a consolidação óssea. A fisioterapia é iniciada precocemente para evitar rigidez articular e atrofia muscular, visando o retorno à marcha e às atividades diários.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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