Espondilolistese

O desalinhamento que compromete a estabilidade da coluna. Entenda como tratar o escorregamento vertebral para recuperar sua postura e caminhar sem dor.

Renan Rigonato

O que é a Espondilolistese?

A espondilolistese é uma condição ortopédica caracterizada pelo escorregamento de uma vértebra sobre a vértebra imediatamente inferior. Esse deslocamento (geralmente para a frente, chamado de anterolistese) compromete o alinhamento do canal vertebral, podendo gerar instabilidade mecânica e a compressão das raízes nervosas.

Embora possa ocorrer em qualquer parte da coluna, ela é muito mais frequente na região lombar, especialmente nos níveis L4-L5 e L5-S1. O tratamento visa estabilizar esse segmento e aliviar a pressão sobre os nervos, devolvendo ao paciente a confiança para se movimentar.

A Anatomia e os Tipos de Listese

Para entender por que uma vértebra “escorrega”, precisamos olhar para as estruturas que deveriam mantê-la no lugar:

  • Istmo Vertebral (Pars Interarticularis): É uma pequena ponte óssea que conecta as articulações da vértebra. Quando há uma falha ou fratura nessa região (espondilólise), a vértebra perde seu “freio” traseiro e desliza.

  • Discos e Facetas: Em pacientes idosos, o desgaste crônico do disco e das articulações facetárias reduz a resistência ao deslizamento.

Principais Tipos:

  1. Ístmica: Comum em jovens e atletas, causada por microfraturas de estresse no istmo vertebral.

  2. Degenerativa: Mais comum em adultos acima de 50 anos, associada ao desgaste natural e à artrite das articulações da coluna.

  3. Displásica (Congênita): Resultante de uma má formação óssea presente desde o nascimento.


Classificação de Meyerding (Graus)

A gravidade da espondilolistese é medida pela porcentagem de escorregamento da vértebra:

  • Grau I: Até 25% de escorregamento (Geralmente estável).

  • Grau II: Entre 25% e 50%.

  • Grau III: Entre 50% e 75% (Considerada grave/instável).

  • Grau IV: Acima de 75%.

  • Grau V (Espondiloptose): Quando a vértebra desliza completamente para fora da outra.

Principais Sintomas

Muitas vezes silenciosa no início, a espondilolistese manifesta sinais claros conforme o deslizamento progride:

  • Dor Lombar Crônica: Uma dor profunda que piora ao inclinar as costas para trás ou ao carregar peso.

  • Encurtamento dos Isquiotibiais: Tensão severa nos músculos de trás da coxa, que faz com que o paciente caminhe com os joelhos levemente dobrados e a bacia “travada”.

  • Ciatalgia: Dor, choque ou formigamento que irradia para as pernas devido à compressão do nervo no local do escorregamento.

  • Claudicação Neurogênica: Dificuldade para caminhar longas distâncias, precisando parar para descansar ou inclinar o tronco para frente para aliviar a dor.

Características da Dor

  • Dor Postural: A dor é mais intensa quando o paciente permanece muito tempo em pé ou em extensão, diminuindo ao sentar ou deitar em posição fetal.

  • Instabilidade Percebida: Sensação de que as costas estão “fracas” ou de que a coluna “estala” ao mudar de posição.

  • Progressão: A dor tende a ser mecânica no início (ligada ao movimento) e tornar-se neuropática (irradiada) conforme o canal vertebral estreita.

Dúvidas frequentes

Além do exame físico, utilizamos as Radiografias Dinâmicas (em flexão e extensão máxima), que mostram se a vértebra se move quando o paciente inclina o corpo. A Ressonância Magnética é fundamental para ver o quanto os nervos estão sendo "apertados" pelo escorregamento.

 

O foco inicial é conservador. Utilizamos fisioterapia para fortalecimento específico dos músculos abdominais profundos e estabilizadores da coluna (Core), correção postural e, em alguns casos, o uso temporário de coletes.

A cirurgia é recomendada quando há instabilidade comprovada, dor persistente que não cede ao tratamento clínico ou sintomas neurológicos progressivos (perda de força nas pernas). O procedimento padrão é a Artrodese (Fusão), onde utilizamos parafusos de titânio e enxerto ósseo para realinhar as vértebras e impedir que elas continuem escorregando.

 

Sim. Atualmente, técnicas como o MIS-TLIF permitem realizar a fusão através de pequenas incisões, com menos sangramento e recuperação muito mais rápida do que as cirurgias abertas tradicionais.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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