Hérnia de Disco

Entenda a causa da sua dor ciática. O diagnóstico preciso entre protrusão e extrusão é o primeiro passo para um tratamento eficaz e o retorno à sua rotina sem limitações.

Renan Rigonato

O que é a Hérnia de Disco?

A hérnia de disco ocorre quando uma parte do núcleo gelatinoso (núcleo pulposo) de um disco intervertebral se desloca para fora de sua posição normal, atravessando as camadas externas (ânulo fibroso). Esse deslocamento pode causar a compressão direta ou a irritação química das raízes nervosas que saem da coluna, resultando em dor intensa e sintomas neurológicos.

Embora o termo assuste, a presença de uma hérnia de disco não significa necessariamente que o paciente precisará de cirurgia. Cerca de 90% dos casos apresentam excelente resposta ao tratamento clínico bem conduzido, permitindo que o próprio corpo reabsorva parte do material herniado ao longo do tempo.

A Anatomia e os Tipos de Hérnia

Os discos intervertebrais funcionam como amortecedores entre as vértebras, permitindo a mobilidade da coluna. Eles são compostos por duas partes principais:

  • Núcleo Pulposo: O centro macio e hidratado, rico em colágeno e água.

  • Ânulo Fibroso: Uma série de anéis concêntricos resistentes que mantêm o núcleo em seu lugar.

As etapas da herniação incluem:

  1. Abaulamento e Protrusão: O disco se projeta para fora, mas o ânulo fibroso ainda está íntegro.

  2. Extrusão: O núcleo rompe o ânulo fibroso e extravasa para o canal vertebral.

  3. Sequestro: Um fragmento do núcleo se desprende totalmente do disco, podendo “migrar” para cima ou para baixo no canal.

Principais Sintomas

A localização dos sintomas depende de qual raiz nervosa está sendo comprimida (geralmente nos níveis L4-L5 ou L5-S1):

  • Ciatalgia (Dor Ciática): Dor que irradia da lombar para a nádega, descendo pela parte de trás ou lateral da coxa e perna, podendo chegar ao pé.

  • Parestesia: Formigamento ou dormência em áreas específicas (dermátomos) da perna.

  • Paresia: Perda de força muscular, como dificuldade para ficar na ponta dos pés ou levantar o hálux (dedão).

  • Alteração de Reflexos: Redução da resposta em testes de reflexo realizados pelo médico.

Características da Dor

  • Dor Neuropática: Frequentemente descrita como uma sensação de “choque”, queimação ou “fio de eletricidade” que percorre a perna.
  • Piora com a Pressão: A dor agudiza-se ao tossir, espirrar ou realizar o esforço de evacuação (manobra de Valsalva).
  • O Teste de Lasègue: A dor irradia intensamente quando o paciente está deitado e o médico eleva sua perna esticada, sinalizando a tensão da raiz nervosa inflamada.

Dúvidas frequentes

O diagnóstico é clínico-radiológico. O exame padrão-ouro é a Ressonância Magnética (RM), que permite visualizar o tamanho da hérnia, a direção do extravasamento e o grau de compressão do saco dural e das raízes nervosas.

 

Na fase aguda, utilizamos analgésicos potentes, anti-inflamatórios e neuromoduladores para acalmar o nervo. A fisioterapia especializada (com foco em exercícios de centralização e fortalecimento de core) é essencial para estabilizar a coluna e permitir a cicatrização biológica.

Para dores que não cedem, realizamos o Bloqueio Epidural ou Foraminal. Sob guia de imagem, injetamos medicações anti-inflamatórias diretamente sobre a raiz nervosa comprimida, oferecendo alívio rápido e permitindo que o paciente avance na reabilitação.

 

A cirurgia é indicada em casos de dor intratável após 6 a 12 semanas de tratamento conservador, ou em urgências como a Síndrome da Cauda Equina (perda de controle de esfíncteres) e déficit motor progressivo. Atualmente, a técnica de escolha é a Discectomia Endoscópica: um procedimento minimamente invasivo feito por vídeo, com mínima agressão muscular e recuperação imediata.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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