Lesões por Sobrecarga e Estresse Articular
O limite entre a performance e a lesão. Entenda como proteger suas articulações dos impactos repetitivos e garantir uma vida esportiva longa e saudável.
O que são Lesões por Sobrecarga?
Diferente das lesões traumáticas agudas (como uma queda ou pancada), as lesões por sobrecarga — também chamadas de lesões por esforço repetitivo ou overuse — resultam de microtraumas contínuos que superam a capacidade de regeneração natural dos tecidos. Quando submetemos ossos, tendões e cartilagens a cargas excessivas sem o repouso adequado, o corpo não consegue reparar os danos celulares, levando a quadros inflamatórios crônicos e processos degenerativos precoces.
Essas lesões são silenciosas e traiçoeiras, pois muitas vezes permitem que o atleta continue treinando enquanto a estrutura interna da articulação está sendo progressivamente comprometida.

A Anatomia do Estresse Articular
As lesões por sobrecarga afetam principalmente três frentes da articulação:
Cartilagem: O impacto repetitivo pode causar o “amolecimento” (condromalácia) ou pequenas fissuras na cartilagem, reduzindo a capacidade de amortecimento do quadril, joelho e tornozelo.
Tendões e Ênteses: A sobrecarga gera tendinopatias (inflamação e micro-rupturas nos tendões), como no manguito rotador (ombro) ou no tendão de Aquiles (tornozelo).
Tecido Ósseo: Segundo a Lei de Wolff, o osso se adapta à carga. No entanto, o estresse excessivo e constante pode causar edema ósseo e evoluir para as temidas fraturas por estresse.
Principais Sintomas
Os sinais de sobrecarga costumam seguir um padrão evolutivo:
Dor que “Aquece”: Desconforto que surge no início da atividade, desaparece durante o treino e retorna com mais intensidade após o repouso.
Rigidez Matinal: Dificuldade em mover a articulação logo ao acordar.
Inchaço Persistente: Edema leve, mas constante, após treinos de maior volume.
Perda de Força e Precisão: Sensação de fadiga precoce ou perda da “refinação” do movimento (comum em ombros de nadadores ou tenistas).
Causas e Fatores de Risco
O “erro de treinamento” é o fator principal, mas não o único:
- O Erro dos “Três T” (Too much, Too fast, Too soon): Excesso de carga, aumento rápido de intensidade ou retorno precoce após uma pausa.
- Desequilíbrios Biomecânicos: Pisada inadequada, fraqueza de core ou falta de mobilidade no ombro que obriga outras estruturas a compensarem o esforço.
- Equipamento Inadequado: Tênis sem amortecimento ou raquetes com tensão incorreta.
- Fatores Metabólicos: Sono insuficiente, má hidratação e baixos níveis de Vitamina D prejudicam a recuperação tecidual.
Características da Dor
Insidiosa: A dor começa de forma vaga e mal definida, tornando-se mais aguda e localizada com o passar das semanas.
Agravamento com Volume: O desconforto está diretamente ligado à duração ou intensidade do treino; quanto mais repetitivo o movimento, maior a dor.
Dor em Repouso: Em estágios avançados, a articulação pulsa ou dói mesmo sem movimento, sinalizando que o tecido está em estado inflamatório crítico.
Dúvidas frequentes
O cansaço muscular é difuso e desaparece em 48h. Se a dor é articular (dentro da junta), persiste por mais de 3 dias e reaparece sempre no mesmo ponto do treino, é um sinal claro de sobrecarga que exige avaliação.
A Ressonância Magnética é o padrão-ouro, pois detecta o edema ósseo e as lesões tendíneas antes que se tornem irreversíveis. O Ultrassom Dinâmico também é útil para avaliar o comportamento de tendões e bursas em movimento.
O foco é o Gerenciamento de Carga, não necessariamente o repouso absoluto. Utilizamos:
Fisioterapia Funcional: Para corrigir a biomecânica do movimento.
Ondas de Choque: Para estimular a cicatrização de tendões e ossos com baixa vascularização.
Viscossuplementação: Infiltração com ácido hialurônico para proteger a cartilagem sob estresse.
Sim. A prevenção baseia-se no fortalecimento preventivo (prehab), períodos programados de descanso (periodização) e escuta ativa dos sinais do corpo.

Dr Renan José Rigonato
Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.
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