Entorses de Joelho
A instabilidade que limita seu movimento. Diagnóstico preciso e reabilitação são fundamentais para devolver a confiança ao seu passo e proteger a articulação.
O que é uma Entorse de Joelho?
A entorse de joelho é uma lesão traumática que ocorre quando a articulação é forçada além de sua amplitude normal de movimento, causando o estiramento ou a ruptura dos ligamentos. Diferente de uma contusão (pancada direta), a entorse é geralmente um trauma torcional, onde o pé permanece fixo no chão enquanto o corpo gira.
Os ligamentos são “cordas” resistentes que unem o fêmur à tíbia e garantem que o joelho não sofra deslocamentos anormais. Uma entorse negligenciada pode levar à instabilidade crônica, episódios recorrentes de “falseio” e, consequentemente, ao desgaste precoce dos meniscos e da cartilagem.

A Anatomia dos Estabilizadores do Joelho
O joelho depende de quatro ligamentos principais para manter sua estabilidade:
Ligamento Cruzado Anterior (LCA): O mais comumente lesionado em esportes; impede que a tíbia deslize para frente do fêmur.
Ligamento Cruzado Posterior (LCP): O estabilizador central que impede o deslocamento para trás da tíbia.
Ligamentos Colaterais (Medial e Lateral): Localizados nas laterais do joelho, controlam os movimentos de “abertura” lateral e medial da articulação.
Além dos ligamentos, os meniscos (fibrocartilagens em formato de C) atuam como amortecedores e são frequentemente lesionados em conjunto durante uma entorse grave.
Principais Sintomas
Os sinais de uma entorse variam conforme a gravidade, mas os mais comuns incluem:
Estalido Audível: Sensação ou som de “pop” no momento da torção (comum em rupturas de LCA).
Inchaço Imediato: O joelho pode “encher de líquido” (derrame articular) em poucos minutos ou horas após o trauma.
Sensação de Insegurança (Falseio): A percepção de que o joelho está “solto” ou que vai falhar ao tentar caminhar.
Bloqueio Articular: Dificuldade para esticar ou dobrar completamente a perna.
Características da Dor
- Dor Aguda Incapacitante: Ocorre no momento exato da lesão, muitas vezes impedindo o atleta de continuar a partida.
- Dor na Interlinha Articular: Sensibilidade profunda nas laterais ou no centro do joelho ao toque.
- Pulsatilidade: Após o trauma inicial, a dor pode tornar-se constante e latejante devido ao aumento da pressão interna pelo inchaço.
Causas e Fatores de Risco
Mudanças Bruscas de Direção: Movimentos de “pivô” no futebol, basquete ou vôlei.
Desaceleração Súbita: Parar bruscamente durante uma corrida ou aterrissar de um salto de forma inadequada.
Fraqueza Muscular: Músculos da coxa (quadríceps e isquiotibiais) fracos não auxiliam os ligamentos na absorção do impacto.
Terrenos Irregulares: Buracos ou gramados em más condições aumentam o risco de torções acidentais.
Dúvidas frequentes
Grau 1 (Estiramento): Microlesões nas fibras. O joelho dói, mas está estável.
Grau 2 (Ruptura Parcial): Lesão incompleta que gera alguma frouxidão.
Grau 3 (Ruptura Total): Perda completa da função do ligamento e instabilidade clara.
O exame físico realizado pelo especialista (testes de Gaveta, Lachman e Pivot-shift) é o primeiro passo. A Ressonância Magnética (RM) é indispensável para confirmar a extensão da lesão ligamentar e avaliar danos associados em meniscos e cartilagem.
Não. O tratamento depende do ligamento lesionado, da idade e do nível de atividade do paciente. Lesões colaterais isoladas costumam ser tratadas com imobilizadores e fisioterapia. Já rupturas de LCA em pacientes jovens ou atletas frequentemente exigem a Reconstrução Ligamentar por Artroscopia para evitar o desgaste futuro da articulação.
A fisioterapia é o pilar central. O foco é reduzir o inchaço, recuperar a amplitude de movimento e, crucialmente, realizar o treino proprioceptivo (equilíbrio) para que o cérebro aprenda a estabilizar o joelho novamente. O retorno ao esporte varia de algumas semanas (Grau 1) a 6-9 meses (Pós-operatório de LCA).

Dr Renan José Rigonato
Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.
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