Descompressão da cabeça do fêmur

A técnica de preservação para a Osteonecrose em estágio inicial. Agir antes do colapso ósseo é a melhor estratégia para evitar a prótese.

Renan Rigonato

O que é a Descompressão da Cabeça do Fêmur?

A descompressão medular (ou core decompression) é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo projetado especificamente para tratar a Osteonecrose da Cabeça Femoral em seus estágios iniciais. A osteonecrose ocorre quando o suprimento de sangue para o osso é interrompido, levando à morte celular (necrose) e ao enfraquecimento da estrutura interna do fêmur.

O procedimento consiste em realizar uma perfuração precisa no colo e na cabeça do fêmur para remover um cilindro de osso doente. Isso reduz a pressão intraóssea elevada, restaura o fluxo sanguíneo e cria canais para que novos vasos e células ósseas saudáveis possam migrar para a área afetada.

A Anatomia e a Fisiopatologia da Lesão

Para entender a importância da descompressão, é preciso olhar para a biologia do quadril:

  • Suprimento Sanguíneo Frágil: A cabeça do fêmur possui uma vascularização terminal e limitada. Pequenas interrupções nesse fluxo podem desencadear a morte do tecido ósseo subcondral (abaixo da cartilagem).

  • Pressão Intraóssea: Na osteonecrose, o edema (inchaço) dentro do osso rígido aumenta a pressão interna, o que comprime ainda mais os pequenos vasos, criando um ciclo vicioso de isquemia.

  • O Risco de Colapso: Sem tratamento, o osso necrótico perde sua capacidade de suporte. Sob a carga do corpo, a “casca” externa do fêmur pode sofrer microfraturas, levando ao colapso da cabeça femoral (deformação), o que resulta em artrose acelerada.

Principais Sintomas

A osteonecrose é muitas vezes silenciosa no início, mas os sinais de alerta incluem:

  • Dor profunda na virilha, que pode irradiar para a coxa ou glúteo.

  • Desconforto que piora ao carregar peso ou realizar atividades de impacto.

  • Rigidez progressiva na articulação do quadril.

  • Sensação de “falta de confiança” no membro afetado.

Características da Dor

  • Intermitente e Profunda: No início, a dor aparece e desaparece, sendo descrita como um “peso” ou “moagem” profunda na articulação.
  • Dor em Repouso: À medida que a pressão interna aumenta, a dor pode persistir mesmo quando o paciente está sentado ou deitado.
  • Mudança Súbita: Se a dor se tornar aguda e incapacitante de um dia para o outro, pode ser um sinal de que ocorreu uma fratura subcondral ou o início do colapso ósseo.

Causas e Fatores de Risco

Embora a causa exata nem sempre seja identificada (casos idiopáticos), os principais gatilhos são:

  • Uso de Corticosteroides: O uso prolongado de cortisona é um dos principais fatores associados.

  • Consumo de Álcool: O álcool em excesso altera o metabolismo de gorduras, podendo obstruir microvasos ósseos.

  • Traumas Prévios: Deslocamentos (luxações) ou fraturas do colo femoral que danificaram os vasos sanguíneos.

  • Doenças Sistêmicas: Anemia falciforme, lúpus e distúrbios de coagulação sanguínea.

Dúvidas frequentes

A janela de oportunidade para este procedimento é curta. O exame fundamental é a Ressonância Magnética (RM), que é capaz de detectar o edema ósseo e a área de necrose meses antes de qualquer alteração aparecer no Raio-X. Se o Raio-X já mostrar que a cabeça do fêmur "achatou" (colapsou), a descompressão geralmente não é mais indicada.

 

  • É um procedimento percutâneo. Sob auxílio de um aparelho de Raio-X em tempo real (poliscópio), o cirurgião insere uma pequena trefina através de uma incisão mínima na lateral da coxa, atingindo o centro da área necrosada com precisão milimétrica.

     

A recuperação exige o uso de muletas por cerca de 6 a 8 semanas para proteger o osso enquanto ele se regenera. O objetivo é evitar carga total sobre a área perfurada para prevenir fraturas durante o processo de cicatrização biológica.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

Outros temas

Sacroileíte

Hérnias do disco lombar podem causar dor intensa, formigamentos e limitação funcional, afetando sua rotina e bem-estar. Com um plano de tratamento adequado é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida.

Espondilolisteses

Hérnias do disco lombar podem causar dor intensa, formigamentos e limitação funcional, afetando sua rotina e bem-estar. Com um plano de tratamento adequado é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida.

Hérnia de Disco Lombar

Hérnias do disco lombar podem causar dor intensa, formigamentos e limitação funcional, afetando sua rotina e bem-estar. Com um plano de tratamento adequado é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida.