Fraturas por Estresse do Fêmur
A lesão "invisível" que desafia atletas. O diagnóstico precoce é o que separa uma pausa temporária de uma lesão grave e incapacitante.
O que são as Fraturas por Estresse do Fêmur?
Diferente das fraturas traumáticas, que ocorrem por um impacto súbito, a fratura por estresse é o resultado de microtraumas repetitivos e acumulados. Ela ocorre quando a carga aplicada ao osso supera a sua capacidade de regeneração natural.
No fêmur, essas lesões são particularmente preocupantes devido ao papel central desse osso na sustentação do peso corporal. Elas começam como uma reação de estresse (edema ósseo) e, se a sobrecarga persistir, evoluem para uma falha estrutural — uma rachadura real no osso.

A Anatomia e os Pontos Críticos
No fêmur, as fraturas por estresse ocorrem principalmente em duas regiões, cada uma com prognósticos diferentes:
Colo do Fêmur (Quadril): É a região mais crítica. Elas se dividem em:
Lado de Compressão (Medial): Geralmente estável e responde bem ao tratamento conservador.
Lado de Tensão (Lateral): Altamente instável. Possui um risco elevado de se tornar uma fratura completa e deslocada, sendo muitas vezes uma indicação cirúrgica imediata.
Diáfise Femoral (Corpo do fêmur): Comum em corredores de longa distância, manifestando-se como uma dor profunda na região média da coxa.
Principais Sintomas
O grande desafio da fratura por estresse é que os sintomas iniciais são vagos e podem mimetizar uma simples fadiga muscular:
Dor profunda no quadril, virilha ou coxa que surge durante a atividade física.
A dor inicialmente desaparece logo após o repouso, mas passa a persistir por mais tempo conforme a lesão progride.
Sensibilidade ao toque em pontos específicos do osso (mais comum na diáfise).
Redução da amplitude de movimento do quadril devido ao desconforto.
Características da Dor
Progressão Previsível: No início, a dor aparece apenas após quilômetros de corrida. Com o tempo, ela surge logo nos primeiros passos e, em casos avançados, impede o caminhar normal.
O Teste do Fulcro: O médico pode identificar a lesão através de manobras que aplicam pressão controlada sobre o fêmur (Fulcrum Test), reproduzindo a dor exata do paciente.
Dor Noturna: Em estágios avançados, o osso pode doer mesmo em repouso absoluto ou durante o sono, sinalizando uma inflamação óssea severa.
Causas e Fatores de Risco
- O “Sinal da Pedrada”: O paciente sente com
O problema raramente é causado por um único fator, mas por uma combinação de:
Erros de Treinamento: Aumento súbito de volume, intensidade ou mudança de terreno (asfalto vs. trilha) sem o devido tempo de adaptação.
Deficiências Nutricionais e Hormonais: Baixos níveis de Vitamina D e Cálcio. Em mulheres, a RED-S (Deficiência Energética Relativa no Esporte) e alterações no ciclo menstrual são fatores de risco altíssimos.
Biomecânica: Fraqueza dos músculos glúteos e core, que deixam de absorver o impacto, transferindo a carga diretamente para o osso.
Equipamento: Uso de calçados desgastados ou inadequados para o tipo de pisada.
- Dor à Palpação: A dor é localizada exatamente sobre o ventre muscular ou na origem junto ao ísquio.
- Limitação Funcional: Dificuldade para caminhar normalmente, subir escadas ou realizar o movimento de “alavanca” com a perna afetada.
- Dor ao Sentar: Em casos de lesões próximas à origem (tendinite ou ruptura proximal), o paciente sente desconforto ao sentar-se em superfícies duras.
Dúvidas frequentes
Nas primeiras 3 a 4 semanas, a fratura por estresse é invisível ao Raio-X em até 70% dos casos. O exame padrão-ouro é a Ressonância Magnética (RM), que detecta o edema ósseo logo nos primeiros dias de sintoma, permitindo um tratamento muito mais rápido.
Compressão: Repouso relativo, uso de muletas (retirada de carga) e correção metabólica/fisioterápica.
Tensão: Devido ao alto risco de necrose da cabeça femoral em caso de deslocamento, muitas vezes optamos pela fixação interna preventiva com parafusos, permitindo uma cicatrização segura e retorno mais rápido à marcha.
A consolidação óssea leva, em média, de 8 a 12 semanas. O retorno deve ser gradual e monitorado, utilizando o "protocolo de caminhada-corrida" e garantindo que o paciente esteja assintomático e com a musculatura estabilizadora fortalecida.

Dr Renan José Rigonato
Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.
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