Lesões posteriores da coxa

Lesões dos Isquiotibiais (Posteriores da Coxa) a lesão muscular mais comum no esporte. O tratamento especializado é a única forma de evitar a recorrência e garantir um retorno seguro à performance.

Renan Rigonato

O que são as Lesões dos Isquiotibiais?

As lesões dos músculos posteriores da coxa, conhecidos tecnicamente como isquiotibiais ou isquiocrurais, são estiramentos ou rupturas que ocorrem quando essas fibras são submetidas a uma tensão excessiva, geralmente durante a fase de desaceleração da corrida (contração excêntrica) ou em movimentos de alongamento súbito.

No futebol, atletismo e crossfit, elas representam uma das principais causas de afastamento. A grande preocupação ortopédica não é apenas a cicatrização inicial, mas o alto índice de reincidência: uma lesão mal curada gera um tecido cicatricial (fibrose) sem a mesma elasticidade do músculo original, predispondo o atleta a novas rupturas.

A Anatomia e os Graus de Lesão

O grupo dos isquiotibiais é composto por três músculos principais que cruzam duas articulações (quadril e joelho):

  • Bíceps Femoral: O mais frequentemente lesionado, localizado na parte externa da coxa.

  • Semitendíneo e Semimembranáceo: Localizados na parte interna da coxa.

  • Origem e Inserção: Eles nascem na tuberosidade isquiática (o osso do “bumbum”) e se inserem abaixo do joelho, sendo os principais responsáveis por dobrar a perna e estender o quadril.

Classificação da Gravidade:

  • Grau I (Leve): Estiramento de poucas fibras musculares, com edema mínimo e sem perda de força.

  • Grau II (Moderada): Ruptura parcial das fibras, apresentando dor imediata e perda parcial da função.

  • Grau III (Grave): Ruptura total do músculo ou avulsão proximal (quando o tendão se desprende do osso da bacia), geralmente exigindo intervenção cirúrgica.

Principais Sintomas

O paciente costuma identificar o momento exato da lesão através de:

  • Uma dor súbita e aguda na parte de trás da coxa durante um esforço (sprint ou chute).

  • Sensação de “estalo” ou “fisgada” intensa.

  • Inchaço e sensibilidade ao toque no local da lesão.

  • Aparecimento de um hematoma (equimose) que pode descer em direção ao joelho após 24-48 horas.

  • Fraqueza para dobrar o joelho contra resistência.

Características da Dor

  • O “Sinal da Pedrada”: O paciente sente como se tivesse levado um golpe direto na parte de trás da coxa.
  • Dor à Palpação: A dor é localizada exatamente sobre o ventre muscular ou na origem junto ao ísquio.
  • Limitação Funcional: Dificuldade para caminhar normalmente, subir escadas ou realizar o movimento de “alavanca” com a perna afetada.
  • Dor ao Sentar: Em casos de lesões próximas à origem (tendinite ou ruptura proximal), o paciente sente desconforto ao sentar-se em superfícies duras.

Causas e Fatores de Risco

  • Desequilíbrio Muscular: Quando o quadríceps (músculo da frente) é muito mais forte que os isquiotibiais, gerando uma sobrecarga mecânica.

  • Fadiga Muscular: A maioria das lesões ocorre no final dos treinos ou partidas, quando o músculo perde a capacidade de absorver energia.

  • Encurtamento e Rigidez: Falta de flexibilidade e aquecimento inadequado reduzem a tolerância do músculo ao estiramento.

  • Histórico de Lesão Prévia: É o fator de risco número um. Uma lesão anterior não reabilitada corretamente é o caminho para a cronicidade.

Dúvidas frequentes

Além do exame físico, a Ressonância Magnética (RM) é o exame padrão-ouro. Ela permite quantificar o percentual de fibras rompidas, localizar o local exato (miofascial, musculotendíneo ou tendíneo) e identificar a presença de hematomas intramusculares que precisam de drenagem.

 

O tratamento evoluiu do repouso absoluto para a mobilização precoce controlada. Utilizamos protocolos de fortalecimento excêntrico (como o exercício Nórdico), terapia manual para evitar fibroses e, em atletas, o uso de Ondas de Choque e Terapias Biológicas para acelerar a regeneração tecidual.

A cirurgia é indicada principalmente em casos de avulsão completa dos tendões da tuberosidade isquiática (especialmente quando dois ou mais tendões são arrancados com desvio maior que 2cm). Nesses casos, a reinserção cirúrgica é necessária para restaurar a força e evitar a atrofia definitiva.

Depende do grau:

  • Grau I: 1 a 3 semanas.

  • Grau II: 4 a 8 semanas.

  • Grau III/Cirúrgico: 3 a 6 meses. A liberação só deve ocorrer após testes de força isocinética e critérios funcionais rigorosos.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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