Impacto Femoroacetabular

O Impacto Femoroacetabular (IFA) é uma condição mecânica caracterizada pelo contato anormal e repetitivo entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (o "encaixe" do quadril na bacia). Em um quadril saudável, a cabeça femoral desliza suavemente dentro do acetábulo. No IFA, alterações anatômicas sutis criam saliências ósseas que geram atrito excessivo durante o movimento, levando ao desgaste progressivo da cartilagem e à lesão do labrum acetabular.

Renan Rigonato

O que é Impacto Femoroacetabular?

Para entender o IFA, precisamos olhar para as três formas como ele se apresenta:

  • Tipo CAM (Came): Ocorre quando a transição entre a cabeça e o colo do fêmur perde sua esfericidade, apresentando uma saliência óssea (frequentemente chamada de “deformidade em cabo de pistola”). É mais comum em homens jovens e atletas.

  • Tipo PINCER (Torquês): Ocorre devido a uma cobertura excessiva da cabeça femoral pelo acetábulo (borda da bacia muito proeminente ou voltada para trás). É mais frequente em mulheres.

  • Tipo MISTO: É a forma mais comum (presente em cerca de 80% dos casos), onde o paciente apresenta tanto a deformidade no fêmur quanto o excesso de cobertura no acetábulo.

O Labrum Acetabular: É uma estrutura fibrocartilaginosa que circunda o acetábulo, funcionando como um selo de vedação para estabilizar a articulação. No IFA, o labrum costuma ser a primeira estrutura a sofrer lesão e causar dor.

Principais sintomas

  • Os sintomas geralmente se manifestam de forma gradual e podem ser confundidos com “distensões musculares”. Fique atento a:
  • Dor na região da virilha (inguinal), que pode irradiar para a lateral do quadril ou glúteo.
  • Rigidez articular e perda de amplitude de movimento (dificuldade em girar a perna para dentro).
  • Estalidos, cliques ou sensação de “travamento” no quadril.
  • Dificuldade ou dor ao realizar atividades simples, como calçar sapatos ou entrar/sair do carro.

Características da Dor

  • O Sinal do “C”: Muitos pacientes localizam a dor colocando a mão em forma de “C” acima do trocanter (lateral do quadril), com o polegar na região posterior e os dedos na virilha.

  • Dor Posicional: Piora ao permanecer sentado por longos períodos (especialmente em cadeiras baixas ou ao dirigir) e após atividades físicas que envolvem flexão e rotação do quadril (futebol, musculação, artes marciais).

  • Início Vago: A dor costuma ser descrita como uma queimação ou pontada profunda que aparece e desaparece no início, tornando-se constante com o passar do tempo.

Causas e Fatores de Risco

O IFA é considerado uma condição multifatorial:

  • Desenvolvimento Ósseo: As alterações na forma do osso ocorrem principalmente durante o crescimento na adolescência.

  • Atividade Física Intensa: Esportes de alto impacto ou que exigem grande amplitude de movimento durante a fase de crescimento podem favorecer o aparecimento das proeminências ósseas.

  • Fatores Genéticos: Existe uma predisposição hereditária para o formato da articulação.

Dúvidas frequentes

O IFA é considerado uma condição multifatorial:

  • Desenvolvimento Ósseo: As alterações na forma do osso ocorrem principalmente durante o crescimento na adolescência.

  • Atividade Física Intensa: Esportes de alto impacto ou que exigem grande amplitude de movimento durante a fase de crescimento podem favorecer o aparecimento das proeminências ósseas.

  • Fatores Genéticos: Existe uma predisposição hereditária para o formato da articulação.

Sim. O tratamento conservador foca na modificação de atividades, uso de anti-inflamatórios e, principalmente, na fisioterapia especializada para fortalecimento da musculatura estabilizadora do quadril (core e glúteos) e melhora da mobilidade.

A cirurgia é indicada quando o tratamento conservador não alivia a dor ou quando há evidência de lesões estruturais (labrum e cartilagem) que podem evoluir para artrose. A técnica padrão-ouro é a Artroscopia de Quadril, um procedimento minimamente invasivo feito por vídeo, onde o cirurgião corrige as saliências ósseas (osteocondroplastia) e repara ou fixa o labrum lesionado.

Dr Renan José Rigonato

Dr Renan José Rigonato

Dr. Renan José Rigonato é médico ortopedista, especialista em Cirurgia de Quadril, com formação pela PUC-Campinas e fellowship pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP.

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